24.9.15

Uma volta pela Andaluzia

Foram aproximadamente 1.400 quilômetros percorridos e mais de 2000 fotos feitas em treze dias de viagem pela região espanhola da Andaluzia, conhecida como costa do sol.
Praia de Nerja, na região de Málaga
Localizada no sul da Espanha, seu nome provém do árabe Al-Andalus, nome que os mulçumanos davam à Península Ibérica, antes dela ser tomada pelos reis católicos da Espanha.
Os mais de seiscentos anos de influência árabe deixaram a sua marca nessa região da Espanha, que tem um impressionante patrimônio histórico e cultural, riqueza arquitetônica e todos os estereótipos que se pensa quando falamos em Espanha: flamenco, touradas (infelizmente), gente morena e de sangre caliente (rs..) e etc ...
Apresentação de flamenco pelas ruas de Sevilha: a moça que está sentada é uma dançarina asiática
Ela aprendeu a dançar flamenco em Sevilha. Mundo e dança globalizados!
O nosso roteiro incluiu, nesta ordem, as cidades de Málaga (chegada), Granada, Baeza, Córdoba, Carmona, Sevilha, Cadiz, Ronda, Nerja e Málaga novamente para o retorno.
O complexo de Alhambra é quase todo decorado por espelhos e fontes d`água. A água é um elemento muito importante na cultura árabe islâmica, não só como elemento decorativo, mas também como fonte de purificação e limpeza antes das orações.
Pra mim fica praticamente inviável escrever um post específico para cada cidade que visitei, talvez eu consiga escrever especificamente sobre uma ou duas cidades. Mas, no momento, vou tentar destacar um pouco de algumas cidades que visitamos e deixar algumas impressões registradas aqui.

Partimos de Zurique em um vôo direto até Málaga. Alugamos um carro e do aeroporto fomos direto para Granada em uma viagem de aproximadamente uma hora e meia de duração. As estradas espanholas são ótimas e as curtas distâncias entre as cidades facilitam muito o ir e vir.

O impressionante complexo de Alhambra, visto a partir do bairro Albaycín
A primeira cidade visitada foi Granada, que é uma cidade lindíssima. É famosa por ter a Alhambra, o monumento mais visitado em toda a Espanha e a maior mostra da arquitetura islâmica no país. A cidade, que foi o último refúgio dos mouros no século XV, antes de eles serem expulsos, foi alvo de constantes ataque de Napoleão em 1812, e quase foi destruída.

"A Alhambra trata-se dum rico complexo palaciano e fortaleza que alojava o monarca da Dinastia Nasrida e a corte do Reino de Granada. O seu verdadeiro atrativo, como em outras obras muçulmanas da época, são os interiores, cuja decoração está no cume da arte islâmica." (fonte Wikipedia)


Sabiamente os reis espanhóis perceberam a burrada que fariam se tivessem destruído o complexo de Alhambra. Vale muito, muito a pena a visita. 


Os detalhes do interior da Alhambra. Tudo muito lindo, impossível não fazer milhares de fotos lá dentro! Tudo ricamente decorado e o melhor é que tudo está muito bem preservado.



Córdoba
O centro histórico de Córdoba, assim como quase tudo na cidade, gira em torno da Mesquita Catedral, a maior e mais bela mesquita construída pelos mouros na Espanha.


Atualmente a mesquita é um templo católico. Uma parte da mesquita se transformou em igreja e lá são celebradas missas católicas também. A estrutura da mesquita foi mantida e é uma coisa linda de se ver.
"A Mesquita-Catedral de Córdoba, também conhecida apenas como Mesquita de Córdoba ou Catedral de Córdoba. Data do século X, quando a cidade de Córdoba atingiu seu apogeu, sob o governo do emir Abderraman III, um dos maiores governantes da história islâmica. Naquele tempo, Córdoba era a cidade mais próspera da Europa, ofuscando o Império Bizantino e Bagdá em ciência, cultura e artes. A catedral é um exemplo da fusão entre acultura islâmica e cristã. ". Wikipédia.

Além disso em Córdoba também vale a pena passear pelas ruas de Juderia, o bairro Judeu, visitar os jardins do Alcazar e descobrir outros encantos mais desta cidade linda, como a ponte mauritana sobre o rio Guadalquivir e La Plaza de la Corredera, um dos pontos emblemáticos da cidade.

Praça de La Corredera
Ponte mauritana sobre o rio Guadalquivir

Sevilha
"Quem não viu Sevilha, não viu maravilha".
                      Ditado Sevilhano

Como diz o ditado, Sevilha foi uma das cidades que mais me deixou maravilhada na Andaluzia. Grande, cheia de vida (como todas na região) e com monumentos belíssimos, é uma cidade que recebe milhares de turistas e tem uma vida noturna super agitada.

"Metropol Parasol é uma construção de madeira na praça La Encarnación, na zona antiga de Sevilha Foi desenhado pelo arquiteto alemão Jürgen Mayer-Hermann e a sua construção terminou em abril de 2011. Tem 150 por 70 metros e uma altura aproximada de 26 metros. O edifício é conhecido popularmente como Las Setas de la Encarnación ("Os cogumelos da Encarnación"). É a maior estrutura de madeira do mundo." Fonte: Wikipédia

A catedral de Sevilha é um dos lugares na cidade que atraem milhares de turistas.

Ela é a maior catedral gótica do mundo, declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco,  sem dúvida vale uma visita.

Detalhes internos da catedral de Sevilha

Bairro de Macarena em Sevilha. Comércio fechado para a hora da siesta.
Um outro lugar que me deixou totalmente maravilhada foi a praça Espanha. Gente, que lugar espetacular! Esta praça foi construída por Anibal Gonzales para sediar a exposição Ibero-Americana de 1929.


Construída em tijolo e cerâmica, em forma semicircular, foi arrematada por uma torre em cada ponta. É muito tranquila, não tem filas para entrar, não é preciso comprar ingresso, nada. Recomendo!
A praça é rodeada por bancos. São cinquenta e oito no total, decorados com maravilhosos painéis de azulejos, que representam momentos históricos de cada província da Espanha. No chão de cada banco encontra-se uma mapa de cada região.


Nossa, esse post já está enorme. A idéia inicial era escrever um pouco de cada cidade em um só post, mas percebi que não dá! Vou voltar com outro post destacando as outras cidades que visitei. Por ora, quero dizer que eu adorei tudo o que vi neste lado da Espanha.
No verão as ruas de Andaluzia recebem um toldo que ajuda a suportar os dias quentes do verão
Em setembro as temperaturas ainda batiam os 35 graus na região!!
Achei os espanhóis da Andaluzia muito simpaticos (os de Málaga um pouco menos, mas talvez eu tenha dado "azar" com eles, rs...) e sobretudo honestos e corretos. Em nenhum momento eu me senti sendo passada para trás ou sendo ludibriada por ser uma turista. Muito pelo contrário, o que vi foi uma região que aplica preços corretos, tanto na hospedagem, quanto em restaurantes ou lojas de souvenirs. Claro que haviam lugares que, por estarem em áreas muito turísticas, eram mais caros. Porém nada exagerado. Mesmo nos lugares super turísticos, como por exemplo a Alhambra, água e outros lanches eram vendidos por preços justos. Pois é, todo mundo sabe que a Espanha está em crise, mas isso não é uma desculpa para agir com desonestidade né?! Fiquei pensando na exporação que existe em algumas cidades turísticas, onde o turista é praticamente extorquido. Enfim...

A caminho da praia...
Por falar em crise...  comenta-se que a Espanha e os espanhóis, em geral, estão sem dinheiro, porém em todas as cidades em que passamos não dava pra deixar de notar que as pessoas não deixaram de curtir a vida. Claro que vimos alguns escritórios fechados e placas de vende-se e aluga-se em toda parte. Entretanto, tudo estava sempre lotado, pessoas comendo fora, se divertindo, enfim...  Isso me fez lembrar de um colega espanhol no curso de alemão. A professora comentou que havia estado recentemente na Espanha e que ficou "estupefada" de como as pessoas continuavam saindo a noite, saiam até para tomar café da manhã fora (isso eu tb percebi, que não eram apenas os turistas nos cafés, muitos eram locais também). O colega comentou que não se podia mudar a mentalidade das pessoas assim, da noite para o dia. Disse que isso não significa que eles não estão economizando, eles cortam despesas sim, mas não deixam de se divertir, saem menos, mas continuam saindo. Afinal, como comentou o colega na época: "ficar em casa chorando não vai fazer com que a crise passe", rs... Esse deve ser o jeito espanhol de ser.

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21.9.15

Arosa e o último suspiro do verão

A meteorologia anunciava que o último final de semana de agosto seria o último com dias bonitos de verão. Assim sendo, se tornava quase "obrigatório" aproveitar o finde de sol, antes dos dias frescos de outono.
Centrinho de Arosa
O dia estava muito quente, nem parecia já final de verão e muita gente estava aproveitando-o, fosse nas montanhas, nos parques, nos lagos ou simplesmente passeando pelas ruas. Nós escolhemos ir para as montanhas e Arosa foi o destino escolhido. Eu já tinha visitado Arosa em 2009 e de lá pra cá parece que pouca coisa mudou de fato na cidadezinha.

O centrinho da cidade, com as bandeiras da Suíça, de Arosa e do cantão de Graubünden

Arosa, cercada pelos alpes
Arosa é uma vila alpina localizada no cantão de Graubünden na suíça de lingua reto-romanische. É um lugar muito conhecido e é famoso desde 1877 como uma estância alpina de férias.


Neste dia chegamos em Arosa e fomos direto para a estação dos cables trains para subirmos até Weisshorn e fazer uma caminhada lá em cima. O ticket para subir e descer custa 18 francos por pessoa.



Como era de se esperar, a região de montanhas de Arosa é muito bonita, com trilhas para caminhadas, onde se pode observar paisagens rurais (as famosas vaquinhas suíças que pastam nos alpes durante o verão), lagos, cabanas rústicas e, de quebra, você ainda pode respirar um ar puro.

No meio do caminho tinha uma cabana...
Sempre que eu vejo essas vaquinhas nas montanhas eu fico morrendo de medo que elas me ataquem... rs...

Para chegar até Weisshorn, a partir de Arosa, é necessário tomar dois cables trains (você troca de bondinho em uma estação no meio do percurso). No dia em que estivemos lá resolvemos que voltaríamos fazendo uma parte do percurso a pé e depois tomaríamos o cable até a cidade de Arosa. Afinal, quando você sobe até as montanhas de cable o percurso é feito em minutinhos o que te faz crer que a caminhada seja leve, fácil e rápida. SQN.

Uma coisa a se observar quando se faz caminhadas nas montanhas: o percurso seguro
é sinalizado em branco, vermelho e branco. Você deve seguir essa sinalização para não se perder
e fazer a sua caminhada em segurança.
Colega eu te dou uma dica: se você não for bem fit "treinada(o)" e não tiver o hábito de caminhar nas montanhas, dobre o percurso informado que você lê nas placas. Eu desconfio que o percurso é medido com base em alpinistas experientes, rs.. pode crer em mim. Se a placa sinalizar que a caminhada dura 40 minutos, pode dobrar o tempo, rs.. Neste dia nós caminhamos quase duas horas!!!


Embora a paisagem pelo caminho seja linda, cansou, viu?! E pensar que tem gente que caminha quase o dia inteiro entre uma cadeia alpina e outra... aff... haja fôlego!

Foi um alívio quando eu vi que a estação de cables se aproximava, rs... eu estava muito cansada, mas ao mesmo tempo eu me sentia tão grata de poder ter a oportunidade de experienciar paisagens tão bonitas e tão perfeitas que eu só pedia a Deus para continuar tendo saúde para poder vivenciar isso outras tantas vezes.


Sou muito agradecida de poder morar em lugar tão bonito. O Brasil é o meu país e a Suíça é a minha casa.
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9.9.15

No reino de Liechtenstein

Era uma vez um reino. Esse reino não é muito distante da Suíça. Na verdade o reino é praticamente dentro da Suíça e se você não prestar atenção corre até o risco de passar por ele e nem perceber.
No alto da colina mora o rei. O castelo não é aberto ao público, mas uma vez por ano
os seus jardins podem ser visitados
Liechtenstein é esse reino. O pequeno país é constituído por uma monarquia e ainda é bem pouco conhecido se o compararmos, por exemplo, com Mônaco, que só de ouvir falar todo mundo conhece.

Estátua dos pais do atual princípe de Liechtenstein Hans-Adam II.
Porém nem por isso ele deixa de ter sua importância. Liechtenstein figura na lista dos países mais ricos do mundo! Localizado bem na fronteira com a Suíça e a Aústria,  sua capital é Vaduz e o idioma lá falado é o alemão.


Bem, eu fui parar em Liechtenstein por oportunidade, não tinhamos programado nada previamente.


Estávamos voltando de uma região de montanhas aqui na Suíça e como Liechtenstein estava no caminho, então porque não parar por lá e conhecer um novo país?


É bem tranquilo entrar em Liechtenstein se você já estiver na Suíça. Pra se ter uma idéia, lá nem controle de fronteira tem. Na verdade nem parece que você saiu da Suíça, de tão próximos e semelhantes que os dois países são. Tão semelhantes que historicamente Liechtenstein é um aliado e parceiro econômico da Suíça até os dias de hoje.


As muitas transações feitas entre os dois países desde a segunda guerra fizeram com que Liechtenstein adotasse o franco suíço como moeda. Além disso, também foi exigido pela Suíça que qualquer decisão política, econômica ou governamental tomada por esse pequeno reino deveria ter a aprovação da Suíça, ou seja, existe uma clara dependência de Liechtenstein para com a Suíça até hoje.

Centro da cidade com bem pouco movimento para um sábado a tarde
Nos últimos anos, Liechtenstein tornou-se um país altamente industrial. Mesmo importando as matérias primas para a produção têxtil, farmacêutica, de instrumentos de precisão e refrigeradores, as exportações superam as importações.

O que fica claro quando você está em Liechtenstein é que dinheiro lá é o que não falta. A cidade é toda decorada com esculturas e pequenas obras de arte. Se na segunda guerra o país serviu de centro de lavagem de dinheiro, atualmente ele ainda goza desta fama.

 

Detalhes de algumas esculturas de Liechtenstein. 




Bom, Liechtenstein não é assim um lugar que atrai muita gente, turisticamente falando, a não ser que você esteja nadando tenha bastante dinheiro e queira aplicar lá, rs... Não é lá um lugar para mochilar, digamos assim, já que pelo que observei, pelas poucas horas que passamos por lá, é que é um lugar ainda mais caro do que a Suíça. Mas, pra passar algumas horas e respirar outros ares, é válido.
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