30.4.15

A cidade termal de Baden Baden

De todas as pequenas cidades que circundam a floresta negra, na Alemanha, que eu já tive a oportunidade de visitar, sem dúvida Baden-Baden foi a mais chique delas.


Baden Baden vista do alto

Baden-Baden é uma cidade linda! Ela conta com aproximadamente 55.000 mil habitantes e pertence ao distrito de Baden-Würtemberg, região muito próxima de onde eu moro, por isso, vira e mexe, cruzamos a fronteira e vamos passear por alguma cidade de lá.


Eu achei a cidade bem elegante, um chiquê só,  e com um certo ar nobre, porém sem ser pretensiosa. Em alguns momentos  parece até que você voltou no tempo e está em outra época!

Aliás, na era da Belle Époque, a cidade foi o point dos milionários e das celebridades do momento, tendo sido visitada por Marlene Dietrich, Otto von Bismarck e pela rainha Vitória da Inglaterra, só para citar alguns nomes.

Trinkhalle
O trinkhalle é onde se encontra a fonte terapêutica de água mineral. É lá que também funciona o escritório de turismo da cidade. Os fundos do prédio tem um caminho que leva ao alto de um parque de onde se tem uma bela vista da cidade.


Detalhe dos afrescos do prédio do Trinkhalle com pinturas lindas!!


Essa atmosfera mais chique e luxuosa, já se nota logo de cara, seja pelos preços dos restaurantes e da hospedagem, que são mais caros do que a média das cidades da floresta negra, seja pela quantidade de lojas de grife que estão no centro da cidade como a Long Champ, Prada, Bottega Veneta e etc... 


No século XIX a burguesia européia elegeu Baden Baden como um lugar de descanso. Devido a isso foram surgindo grandes estabelecimentos comerciais, hotéis luxuosos, teatro e o seu casino que até hoje é considerado um dos mais luxuosos do mundo. Nós não o visitamos porque não tinhamos levado nossas roupas de gala, rs... e como era feriado de Páscoa, a Prada estava fechada, então não tive como providenciar o meu traje. (hahaha, SQN!!!)

O elegante prédio Kurhaus, que sedia o cassino da cidade
O lindo teatro Festspielhaus, o segundo maior palco de óperas e concertos da Europa

O nome "Baden" em alemão significa banho e a história da cidade se inicia na época dos romanos, que já usavam as fontes naturais subterrâneas para os banhos termais. A cidade deve seu nome a essas termas. Até hoje Baden Baden é um balneário termal muito conhecido na Alemanha e atrai milhares de pessoas, todos em busca de momentos de relaxamento ou tratamentos curativos nas suas águas termais.

Como dormimos uma noite na cidade, aproveitamos e fomos nas piscinas do Termas Caracalla. Eu diria que passar algumas horas nas piscinas termais da cidade é o ponto alto da visita a Baden Baden. É muito relaxante!! 

Complexo termal Caracalla
O termal Caracalla (cujo nome se deve ao imperador romano Caracalla que frequentava o local) tem uma estrutura moderna, com piscinas internas e externas, além de sauna e sala de vaporização. Já as piscinas do complexo termal Friedrichsbaden,  eu vim depois a saber que tem um roteiro de banho mais completo, sendo mais tradicional que a Caracalla. Já fiquei com vontade de voltar só pra conhecer essa Bad.

Complexo termal Friedrichsbad

Mas, mesmo que você não vá nas termas, a visita à cidade por si só vale muito a pena. Nem preciso mencionar que  é uma delícia caminhar pelas ruas do centro, pelos parques, apreciar as construções, visitar museus (lá foi inaugurado em 2009 um Museu Farbegé) e etc... Enfim, opções do que se fazer por lá, não faltam.


Na Suíça, para quem mora nas regiões de Zurique, Aargau, Solothurn, Basel, dá perfeitamente para fazer um bate e volta (se for de carro) de um dia até lá. Uma cidade tão bonita, vale a pena ser visitada!

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20.4.15

Eisheilige, os santos do gelo

Eisheilige é um fenômeno climático que acontece todos os anos na Europa, principalmente nos países mais ao norte, entre os dias 11 e 15 de maio. Nesta quinzena de maio pode haver uma mudança brusca de temperatura, onde não só as noites e as madrugadas, mas também os dias, podem ser bem gelados. Tão gelados que podem prejudicar  plantações e mesmo plantas de varandas que são sensíveis e que podem congelar com as baixas temperaturas.

O Eisheilige, ou seja, os santos do gelo, de acordo com as crenças populares européias que vem desde a Idade Média, são representados da seguinte maneira:

St. Mamert, que chega na segunda, 11 de maio
St. Pankratius, que chega na terça, 12 de maio
St. Servatius, que chega na quarta, 13 de maio
St. Bonifatius, que chega na Quinta, 14 de maio
e finalmente a Sta Sophie (conhecida como kalte Sophie), que chega na sexta, 15 de maio, finalizando o ciclo.

Estes Santos eram invocados pelos agricultores para evitar que o efeito de uma geada acabasse com as plantações. Essa crença perdura até hoje na Suíça, não só entre os agricultores, mas também na área da jardinagem.

Já fomos alertados que as plantas mais sensíveis só devem ir para a varanda depois da passagem do Eisheilige. As que não estão em vasos, devem ser devidamente encapadas.

Assim, eu sigo esperando pela passagem da kalte (fria em alemão) Sophie, pois segundo os entendidos de jardinagem, só depois da passagem dela, as plantas mais sensíveis ao frio, podem ir para a varanda.


Aqui em casa temos duas palmeiras e alguns vasinhos com cactos que estão no Keller (porão), esperando para irem para fora.



Não vejo a hora de poder ver a minha varanda mais verde e mais florida.

UPDATE: Hoje, 15 de maio, o tempo virou: esfriou e choveu o dia todo! É, a Kalte Sofie veio mesmo :-).

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9.4.15

Cozinhando e comendo na Suíça

Logo que eu vim morar aqui, eu era a típica imigrante que tinha receio de não conseguir cozinhar a minha comida, ou de não me adaptar a alimentação daqui, afinal, meu paladar foi desenvolvido no Brasil, e, de repente mudar todo um hábito alimentar, poderia ser um pouco assustador. 

No começo bati o pé para a culinária suíça, achando que só comeria batata, queijo e salsicha, rs... Como eu estava enganada... hoje já estou completamente adaptada e adoro as comidas daqui.

Comida alemã: Schupfnudeln com legumes e carne de porco
É verdade que os pratos típicos suíços são mesmo poucos e muitos pratos do dia a dia são a base de batatas. Entretanto, as adaptações que podem ser feitas na culinária local, aliada a facilidade de se encontrar dos mais variados ingredientes, assim como a influência de outras culturas, enriqueceram as mesas suíças.

Risoto de gorgonzola com pera e nozes
Hoje minha alimentação é tão vasta, quanto os tipos de pratos que aprendi a cozinhar morando aqui.  Eu faço desde a comidinha básica do dia a dia, à receitas brasileiras e pratos da culinária suíça, alemã, indiana (amo curry), thai, italiana, francesa e por ai vai.


Yakissoba de frango

Aqui é muito fácil e acessível conseguir produtos de distintas cozinhas e ingredientes considerados por muitos até como "nobres", como, por exemplo, um presunto de parma, açafrão ou um bom vinho branco, que darão aquele toque especial até nos pratos mais simples.


Risoto de açafrão com filé de salmão ao limão

Esses produtos acabam refinando um prato e te dão inúmeras possibilidades de receitas, das mais simples, às mais sofisticadas. Claro que não são todos os dias que as pessoas vão cozinhar usando ingredientes "nobres", mas são coisas deste tipo que dá pra ter acesso morando aqui, até mesmo sendo possível comprá-las no supermercado do bairro. Eu não quero parecer esnobe com esse comentário, mas produtos que, devido aos altíssimos impostos praticados no Brasil, seriam difíceis de serem acrescentados em uma receita, por aqui é quase trivial. Em compensação, as carnes no Brasil têm cortes muito especiais e são muito mais em conta do que aqui. Um churrasco com "carne de verdade" na Suíça é algo muito caro!


Sauerbraten, um prato típico da culinária alemã e um dos meus favoritos

Por aqui também não é comum que se cozinhe muita comida. Nos almoços ou jantares com convidados, é preferível ter uma entrada e um prato principal bem feito, do que aquele monte de pratos diversos. Para os suíços tudo tem que ser "mega fein", pode ser simples, mas com algum requinte.

Lasanha de brócolis

Eu já notei que uma coisa muito importante na Suíça, (as vezes eu acho que até mais do que o sabor da comida, rs..), é a apresentação do prato. E isso em qualquer situação. O ditado comer com os olhos, aqui é levado ao pé da letra. Como eles (os suíços) se preocupam com este detalhe. Uma vez, em um almoço em família, eu comentei sobre isso e me responderam que é porque tudo que vai à mesa tem valor e não deve ser desperdiçado.

Eu, que já reclamei aqui que sentia falta dos restaurantes brasileiros a quilo, fiquei perdidinha da última vez em que estive no Brasil e fui nos quilos da vida, rs... quanta variedade e, consequentemente, quanto desperdício.

Eu, que até antes de vir morar na Suíça, não sabia e não tinha o mínimo interesse por cozinhar, posso dizer que hoje, modéstia a parte, me viro muito bem na cozinha. Acho que no passado soava até como uma coisa "menor" dizer que sabia cozinhar e que cozinhava em casa. Acredito também que isso era devido ao valor que se dava a mulher-esposa que devia ser boa de forno e fogão (rs).

Atualmente, pelo que eu tenho acompanhado, isso está mudando. As pessoas estão tendo mais prazer em cozinhar. Isso em parte muito pela influência de cozinheiros e chefs estrelados que fazem o maior sucesso com livros e programas de culinária, como o Jamie Oliver, a Nigella Lawson e a Rita Lobo, de quem eu sou fã e foi a minha maior inspiração para aprender a cozinhar.

Rocambole com recheio de geléia de frutas vermelhas

Hoje eu tenho a maior vontade de aprender a fazer pratos novos e diferentes e de experimentar coisas saborosas feitas por mim. E isso não foi porque eu casei e é meu trabalho, ou algo que eu tenha que fazer, ou ainda (como já ouvi dizer por ai), que é porque a mulher tem que alimentar o marido, rs.. Aliás, cozinhar acabou se tornando uma coisa que une ainda mais a gente, porque muitas vezes cozinhamos juntos e acabamos fazendo experiências únicas na cozinha. Além de ser uma necessidade básica, a alimentação e o preparo dela se tornaram um hobby pra mim e hoje em dia acho uma coisa super divertida de se fazer. Claro que tem dias em que eu não estou com a mínima vontade de ir para a cozinha e nestas horas eu não sinto culpa nenhuma em comer uma pizza ou uma massa semi-pronta. Porque cozinhar por obrigação é muito chato.


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