27.12.15

Memorial Sophie Scholl em Munique

Em tempos de radicalismo e de todo tipo de intolerância, nada melhor do que voltar na história e relembrar e/ou conhecer algumas pessoas que lutaram contra esse tipo de violência.

Sophie Scholl
Foto Dpa
Uma dessas pessoas foi a Sophie Scholl, uma alemã que lutou contra o nazismo. Ela foi dirigente e membro da Rosa Branca, um grupo de resistência alemã antinazista que, entre outras coisas, redigia e distribuia folhetos com textos antinazistas nas caixas de correio das casas de grandes cidades da Bavária (berço do nazismo). Esses panfletos também citavam trechos apocalípticos da Bíblia para impressionar os cristãos.
Universidade de Munique
O grupo Rosa Branca era composto, em sua maioria, por estudantes da Universidade de Munique. Os membros desta organização que se tornaram mais conhecidos foram Hans e Sophie Scholl, que eram irmãos. Atualmente uma praça no campus da universidade de Munique leva o nome de Geschwister-Scholl-Platz (Praça irmãos Scholl)

Em fevereiro de 1943, Sophie, seu irmão Hans e um amigo da universidade, Christoph Probst, foram presos depois de serem surpreendidos pelo reitor da universidade distribuindo panfletos no pátio da faculdade. Nesta ocasião Sophie era estudante de biologia e filosofia na Universidade de Munique.
Páteo da universidade de Munique onde Sophie foi presa
ao lançar os panfletos
 Uma representação dos panfletos da época que estão colados no chão
A Gestapo prendeu os três jovens. Depois de quatro dias de prisão eles foram julgados e, em menos de 24 horas depois de condenados, eles foram guilhotinados. Depois deles, até o final da guerra, ainda foram mortos mais de 50 integrantes do movimento Rosa Branca.
Todesurteille: a sentença de morte de Sophie Scholl
Na Universidade de Munique foi criado uma espécie de museu, um memorial que retrata a história de Sophie e dos seus colegas. Lá há fotos e alguns objetos de Sophie, entre eles, a bolsa em que ela carregava os panfletos.

Da última vez em que estive em Munique, eu fui visitar a universidade onde estudou Sophie Scholl. Eu conheci a história dos irmãos Scholl faz alguns anos. Foi no curso de alemão que li a respeito dela. Coincidentemente um pouco antes de irmos a Munique vimos uma curta reportagem na TV alemã sobre ela e decidimos que visitaríamos o seu memorial. Também compramos o DVD do filme e assistimos antes de ir. Quem se interessar, segue o trailler.


Conhecer um pouco mais da história de pessoas que, de alguma forma, lutaram para ajudar outras pessoas em situação de risco me faz ter um pouco mais de fé na humanidade. Por isso eu fico chocada quando vejo principalmente imigrantes fazendo discurso de ódio contra outros imigrantes, especialmente contra os refugiados.

Ir viver em outro país por causa de uma oportunidade de trabalho, por casamento, por estudo ou whatever, não faz de você menos imigrante do que um refugiado. Você pode sim, até ter algumas "vantagens" em relação a eles, como por exemplo o status do seu permiss (tipo de visto de residência), ou um passaporte europeu, entretanto não é isso que vai te tirar do status de imigrante.

Infelizmente alguns imigrantes quanto mais preconceito sofrem, mais preconceituosos se tornam. Quando esse imigrante, por exemplo, consegue o visto permanente de residência ou o passaporte suíço (ou qualquer outro passaporte europeu), ele acha que está acima, que subiu degraus em relação ao outro imigrante. É quase que como uma "lei da compensação". Já vi muito isso.

Enfim, fica ai a dica de uma visita super interessante em Munique. A universidade fica aberta também para não estudantes e a entrada no museu (que na verdade é uma salão) é grátis.

E que 2016 seja um ano de mais tolerância e respeito.
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24.12.15

Um natal primaveril e um feliz natal!

Esse ano a época de natal pegou todo mundo de surpresa e uma surpresa não muito boa no que diz respeito ao meio ambiente. Isso porque as temperaturas têm passado facilmente dos 10, 12 graus em algumas horas do dia. E isso é muito, muito estranho!

A princípio, para algumas pessoas, pode até parecer "legal" ter dias "quentes" em dezembro, mas eu estou assustada mesmo é com a reação que a natureza está tendo com tudo isso. Florzinhas que começariam a brotar na primavera, em alguns lugares, já começaram a dar sinais de vida. Isso é assustador. Ver o que nós estamos fazendo contra a natureza, consequentemente gera um revide do clima. Sinceramente, não estou achando graça nenhuma, embora eu já tenha sim, ficado bem feliz com um inverno não tão gelado como o que tivemos a alguns anos atrás, mas aquele inverno não foi tão primaveril e com temperaturas tão altas como o que estamos vivendo agora. Medo!

Bom, fora isso, aqui em casa os preparativos para o Natal, já foram praticamente todos finalizados (agora, só falta mesmo a ceia de Natal e a troca dos presentes, hehe.) A árvore, para o desespero do meu marido, eu já havia montado no início de dezembro, isso porque por aqui não é comum que se monte e decore a árvore de Natal com tanta antecedência. Pra começar, ainda muitas famílias optam por um pinheiro natural e ele é geralmente decorado na véspera do Natal. Eu não tenho paciência de esperar tanto, por isso, minha árvore é artificial mesmo, rs...


Além disso esse mês nós fizemos tantas bolacinhas de Natal, que eu acho que até fevereiro estaremos comendo-as, rs... isso porque marido se empolgou bateu o pé, querendo as bolacinhas, que são tão tradicionais pra ele, que eu não tive como me recusar a fazer, rs... Pusemos então a mão na massa e fizemos juntos um montão de "güetzli" (bolacinha no dialeto suíço). Só pra constar: também teremos panetone (mas não homemade, rs..). Natal sem panetone, pra mim não é Natal!!
Na produção das bolachinhas de Natal... dá um trabalhinho, mas no final a gente se diverte fazendo.


Outra coisa, é que aqui na minha vizinhança, é comum que se dê um pequeno presente (geralmente algum doce feito em casa) para os vizinhos mais próximos. Eu não queria dar bolachinhas de natal, que apesar de tradicionais, são muito comuns. Por outro lado, eu também não queria dar nada muito "diferente", rs..  então conversando com uma amiga (obrigada Mari) ela me deu a idéia de pão de mel. Eu comecei a ver vídeos e ler receitas na internet e eu achei super fácil de fazer, além de levar ingredientes que combinam com a época do natal como canela, cravo em pó, mel e chocolate.
Testando meus dotes de decoração.....
 Eu fiquei satisfeita com o resultado e modéstia a parte, ficaram bem gostosos!
Embalados e prontinhos!
Além disso, uma curiosidade em relação a ceia de natal por aqui, é que não existe um prato tradicional e específico para o Natal, como no Brasil que temos o peru ou o pernil. Eu, pelo menos, nunca vi peru de natal sendo vendido nos supermercados da Suíça. Aqui, nos natais que eu já participei e até em casa, geralmente é servido um prato especial, como uma carne, ou um peixe, ou uma massa (etc..) acompanhado um gratinado de batatas, legumes e etc... é claro que se faz uma ceia especial, com uma comida mais elaborada, mas, até onde eu sei, não existe um prato típico suíço pra dizer que é tradicional de Natal.

Por fim, desejo a todos que acompanham esse blog, um Natal feliz e harmonioso. O Natal é mais do que uma celebração, é um estado de espírito. Como li no instagram de uma amiga, é um "tempo que aquece a alma pelos reencontros, pela luz que semeamos e, sobretudo, pelo afeto que recebemos". Seja esse afeto de que forma for.

Feliz Natal e um ano novo cheio de vida e de luz. Que 2016 seja um ano de paz para a humanidade.

BOAS FESTAS!!


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18.12.15

O novo mercado de Natal de Zurique

Wienachtsdorf, no dialeto de Zurique, traduzido seria algo como vila natalina. Esse é o novo mercado de Natal de Zurique e que foi inagurado em novembro deste ano.
Com uma localização privilegiada, o mercado está montado na área da Bellevue, na tradicional Sechseläutenplatz (é lá que é celebrada a festa do Sechseläuten e onde o boneco de neve, o Böögg é queimado, já escrevi sobre isso neste post aqui). Em frente a Ópera e ao redor do lago de Zurique, o mercado de natal com suas barraquinhas e com muitas pessoas circulando, deu um ar super festivo para essa praça!
Na verdade, nos anos anteriores, já havia um mercadinho de Natal por ali, mas era algo pequeno, esse é bem maior e engloba toda a Sechseläutenplatz .
Eu achei uma excelente idéia aproveitar o espaço desta praça para montar ali um mercado de natal e também uma pista de patinação!
As fotos deste post foram feitas na hora do almoço, então muita gente aproveitava o horário para comer por lá mesmo. E comida boa e diversificada era o que não faltava: raclete, sanduíches de vários tipos, salsichas assadas (Bratwurst), salmão defumado, comida thai e etc...glühwein (o vinho quente) além dos doces, como os tradicionais de natal, aos não tão tradicionais de natal assim, como churros!... hummmm.... quando eu vi não resisti e tive que comprar!! Adoro!

A estrutura montada também ficou excelente, com muitos lugares para se sentar enquanto você come ou bebe o seu vinho quente.

O que eu gostei muito também foi o fato de muitas das barraquinhas venderem produtos tipicamente natalinos, além de produtos artesanais e de artesãos locais. Quase tudo o que eu vi para vender lá tinha a ver com a época natalina. Adorei!



Mas, o que realmente está atípico esse ano para os mercados de natal, é a temperatura. Imagine que no dia que fiz estas fotos os termômetros marcavam 13 graus! Uma temperatura considerada bem alta para esta época do ano. E, pra dizer a verdade, eu, que passei a maior parte dos natais da minha vida em um clima tropical, achei estranhíssimo estar em um mercado de natal aqui na Suíça com temperaturas tão altas. Sei lá, parece que não combina.

Os arredores do lago de Zurique em pleno mês de dezembro! Quase que inacreditável. Parece um dia de primavera e não de inverno!
Ontem mesmo na TV vi uma reportagem sobre o clima de dezembro e comentava-se sobre o "natal tropical" que a Alemanha e outras partes da Europa estava vivendo. Os entrevistados não pareciam tão felizes com o sol que pairava sobre as barraquinhas natalinas. Diziam que não era um clima de natal. E, pensando bem, eu acho que consigo entendê-los. Seria o equivalente a termos, por exemplo, um reveillon frio e pouco festivo no Brasil, o qual não estamos acostumados!
Enfim, com temperaturas altas ou não, sem dúvida o mercado de natal Zurcher Wienachtsdorf merece uma visita. Eu gostei muitíssimo e recomendo! A noite fica ainda mais especial com a iluminação natalina. O mercado funcionará até às 14:00 hs do dia 24 de dezembro e até esse dia quero ainda tomar mais uma caneca de vinho quente por lá. Saúde!
Foto daqui
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14.12.15

Envio de cartões: um hábito que prevalece na Suíça

Diz pra mim: você envia cartões pelo correio?

Com a era da internet muita gente prefere mandar um email ou uma mensagem de WhatsApp para desejar feliz aniversário ou feliz natal e ano novo. Hoje, nesta era eletrônica, quem recebe cartão de aniversário ou de natal pelo correio, pode quase até se sentir um privilegiado (rs).
Um dos cartões de Natal que recebemos esse ano
Entretanto aqui na Suíça esse é um hábito que ainda prevalece. As pessoas por aqui têm o costume de enviar cartões e não só no Natal, que é uma época bem propícia para isso, mas também para felicitar pelo aniversário, por ter passado em uma prova, para desejar uma boa recuperação (quando estão adoentados ou no hospital), para participar do nascimento de uma criança, para desejar felicidades pelo casamento e até cartão de pêsames. Nos aniversários é ainda bem comum que se presenteie as pessoas com um "cartão-dinheiro", que tem uma espécie de bolsinho do lado de dentro que vai o dinheiro. Eu acho muito impessoal, mas muita gente acha prático. Nas papelarias e nos supermercados há uma boa oferta de cartões para todas as situações.

Cartão de pêsames e cartão parabenizando por ter passado em uma prova


Cartão desejando uma boa recuperação

No Brasil eu lembro que durante o começo da adolescência eu trocava com frequência cartas e cartões com uma prima que morava no interior de São Paulo mas infelizmente com o tempo, perdemos esse hábito.

Aqui na Suíça eu (re)adquiri  um pouco mais do hábito de enviar cartões, porém faço isso só mais no Natal mesmo (e em algumas outras ocasiões) (schade!), porque no decorrer do ano, se escrevo, por exemplo, um cartão de aniversário é mais quando vou pessoalmente a uma festa e presenteio alguém, ai o cartão acompanha o presente.
Os cartões de Natal que comecei a escrever para enviar....

Desde que eu vim morar aqui eu guardo todos os cartões e convites que recebemos em uma caixa. Acho bem gostoso de vez em quando abrir de novo os cartões e reler as felicitações.
Alguns dos cartões que recebemos ao longo dos anos e a caixa onde os guardo.
No natal vejo o quanto é gostoso receber e escrever cartões, mas, infelizmente, o hábito se perde - de novo - ao longo dos meses até chegar - de novo - o Natal.

E vocês, costumam enviar cartões pelo correio?
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12.12.15

Quinten, um dos mais quentes e menores vilarejos da Suíça

Quinten é um pequeno vilarejo suíço localizado às margens do Lago Walen (Walensee). Essa localidade pertence ao cantão de St. Gallen e é conhecida como um dos lugares mais quentes da Suíça.
O clima de Quinten é mediterrâneo e com temperatura anual media de cerca de 12 graus, isso porque está localizado no ponto mais ensolarado do Walensee e ao pé da montanha Churfirsten.
Pelo que me foi explicado, a montanha que cerca Quinten é que acaba criando uma espécie de estufa, uma isolação natural que captura o calor do sol que fica retido nas suas rochas por mais tempo, deixando a temperatura mais amena do que em outras partes da Suíça.
Quinten também está listado como um dos menores vilarejos da Suíça. São apenas 56 habitantes neste lugar, que é acessível a partir do vilarejo de Murg, apenas a pé ou por barco.
Em 1835 Quinten contava com 171 habitantes, mas devido a falta de ligações ferroviárias e rodoviárias, muitos moradores deixaram o povoado para aproveitar o boom econômico do pós guerra e foram em busca de emprego em outros lugares.
Igrejinha do povoado de Quinten
Hoje o vilarejo sobrevive graças ao turismo e os seus habitantes vivem principalmente das operações dos navios, já que o lugar tem dois piers que ficam abertos o ano inteiro transportando os passageiros que chegam a partir de Murg.

Bom, mas o que tem para se fazer em Quinten?
Bom, o turismo por lá parece ser mesmo mais local e até pouco conhecido, mesmo aqui na Suíça. O lugar parece ser ideal para caminhadas , já que lá há uma trilha que liga Quinten a outros vilarejos. Vi alguns grupos de pessoas fazendo caminhadas no dia em que estive lá.
Os vinhedos de Quinten.
Além disso os moradores de Quinten produzem vinhos e licores com frutas de lá mesmo, pois figos, kiwis e uvas crescem na região.
O restaurante See hus, que oferece uma vista total para o Walensee
Vários tipos de palmeiras e outras plantas exóticas também crescem em Quinten. Em pleno outono, por exemplo, a natureza de lá estava intacta e acredito que mesmo no inverno, devido às temperaturas amenas, as plantas sobrevivam a temporada.

Esse é realmente um lugarzinho único, atípico e até curioso aqui na Suíça. Afinal somente ao sul do país, do lado italiano, é onde faz mais calor e onde as temperaturas costumam ser mais amenas ao longo do ano.
Quinten fica localizado na costa norte do lago Walensee e chega até a ser curioso que um lugar ao norte aqui na Suíça, disponha de tantas horas de sol e de "quentura", mesmo no inverno.
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