14.12.14

Mercado de Natal de Konstanz

Eu ainda não cansei de escrever neste blog que eu adoro a época de Natal (rs..) e adoro mesmo! Gosto do clima de festa, das luzes, dos presentes (porque não?), da família reunida e tudo que a data traz de bom.

E, depois que vim morar aqui, passei a gostar ainda mais do Natal por causa dos mercadinhos desta época do ano! Adoro caminhar pelos mercados de Natal sentindo o cheiro do Glühwein (vinho quente), das amêndoas tostadas, da canela, do mel... que delícia!


Esse ano estive mais uma vez no mercado de Natal de Konstanz (Alemanha) que é uma cidade que faz fronteira com a Suíça. Eu já havia visitado este mercadinho há uns 4 anos atrás, época que eu ainda nem tinha blog.


Konstanz é uma cidade muito movimentada, não chega a ser uma rota turística, mas ela é muito atrativa não só pelo Bodensee, (que é o maior lago alemão), que circunda a cidade, mas também por ser um centro de compras.


A cidade é visitada todos os dias por (muitos) suíços e moradores da Suíça que vão até lá, principalmente para fazer compras, já que os preços de quase tudo na Alemanha são muito mais em conta do que na Suíça. Então, porque não unir o útil ao agradável e de quebra tomar um vinho quente e comer comidinhas típicas do Natal?


Bom, o mercado de Natal de Kontanz é bem grande, ele começa no centro da cidade e segue até a área que está o Bodensee. Tem muitas barraquinhas, muita comida e bebida sendo vendida, mas não tem, por exemplo, o "glamour" do mercado de Stuttgart. Tudo lá é bem mais simples.


Mas, mesmo que os mercado de Natal de Kontanz, ou mesmo de Zurique ou de Bremgarten não sejam tão "glamourosos", acho que mercadinhos de Natal sempre valem a visita, mesmo que todo ano pareçam "sempre iguais". Os mercadinhos dão aquele clima festivo para as cidades e ajudam a quebrar, pelo menos durante dezembro, o clima triste, frio e cinza que predomina neste mês.


No mercadinho de Kontanz se vendia de um tudo: desde artesanatos e artigos natalinos à acessórios de inverno, como luvas, gorros, cachecóis e etc... e até algumas coisas que nem tinham tanto assim a ver com o Natal... mas, mesmo assim eu continuo adorando bater perna nestes mercadinhos!!


Com este post encerro por aqui o ano de 2014. Preciso fazer uma pausa de final de ano, afinal dezembro está passando tão rápido, que mal estou tendo tempo de sentar aqui e escrever! Então antes que o ano acabe, quero agradecer a todas as amizades (ainda que virtuais) que fiz através deste blog. Com certeza o meu blog, (meu "passatempo") e outros blogs que conheci e que de alguma maneira me inspiraram, foram uma das melhores coisas que me aconteceram nesta vida de imigrante. Quero desejar a todos os que acompanham o blog, um natal de muita luz, paz e harmonia. E que 2015 seja um ano generoso para nós todos.
 
FELIZ NATAL!!!
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4.12.14

Estrangeirices

Na semana passada um rapaz esteve aqui em casa para fazer um pequeno reparo em um cômodo, foi coisa rápida. Mostrei o que precisava ser feito e ele começou a trabalhar.

Em um certo momento o telefone toca, eu atendo, e começo a conversar em português com uma amiga. Quando eu desligo o telefone o rapaz pergunta: "Espanhol? Italiano? Você é espanhola ou italiana"? - Não. Respondo. Eu conversava em português e sou brasileira. ( quase sempre que digo que sou brasileira a primeira reação é a de surpresa,rs... sei lá porque!)

Detalhes técnicos respondidos, ele me pergunta há quanto tempo moro aqui e bla bla... eu pergunto de volta e ele me diz que faz um pouco mais de 20 anos que mora na Suíça. 

Papo vai, papo vem, o rapaz me conta (não sem demonstrar uma certa vergonha que, acredito eu, seja por causa da guerra) que vem da Bósnia.  Ele segue dizendo que chegou aqui na transição da fase de criança para adolescente. O pai dele já estava na Suíça e quando a guerra nos países da ex Iugoslávia estourou, ele, a mãe e os irmãos conseguiram vir para cá. Eu digo a ele que já visitei Móstar, na Bósnia, por causa de uma viagem que fiz para a Croácia. Ele se alegra e conta alguma coisa da Bósnia.

Um símbolo: ponte na cidade de Móstar na Bósnia Herzegovina, que cruza o rio Neretva.  A ponte tinha 427 anos, até ser destruída em 1993, na Guerra da Bósnia. Logo após, foi reconstruída e reaberta em 2004.
O rapaz segue dizendo que apesar da guerra, que agora lá não é perigoso viver e que não há mais violência. Que antes da guerra eles eram um só povo e que foi a guerra que dividiu tudo, mas que ele aqui na Suíça tem amigos croatas, macedônios, albaneses e etc.. e muito respeitoso me diz que era a primeira vez que ele conversava com uma brasileira, rs..

Ruazinhas da cidade de Móstar, na Bósnia

Muitas casas nos países da ex Iugoslávia ainda exibem as marcas da guerra nas paredes (marcas do tiroteio no lado direito desta construção). Alguns preferiram reformar as casas, outros deixaram as marcas para que a guerra não seja esquecida

Conversa vai e conversa vem, em um dado momento ele me diz que seria bem difícil se ele tivesse que retornar a terra dele: "você sabe né, eu sou estrangeiro aqui e se eu voltar para a minha terra, serei estrangeiro lá também".

Ele frequentou a escola na Suíça, fala o dialeto, trabalha e continua sendo e se sentindo estrangeiro. Fiquei pensando que apesar de eu viver na Suíça há bem menos tempo do que ele, eu também me sinto assim e acho que vou me sentir por muito tempo, senão para sempre. Apesar de ter me adaptado muito bem a muitas coisas aqui, já aconteceu, claro, de eu me sentir deslocada, mas isso não chegou a ser um problema ou gerar maiores crises em mim. Eu costumo dizer que eu não tive muitos problemas de adaptação, nunca senti que isso poderia ser um grande problema pra mim. Claro que o idioma, a alimentação, foram coisas que fui me adaptando aos poucos. Comigo foi assim: eu procurava pensar: já que eu estou aqui, vou morar aqui, vou viver aqui, porque tornar isso mais difícil do que realmente é? Já basta ter que lidar com a saudade, com outros costumes, com as lutas do dia a dia e etc ...

No Brasil eu também me sentia um pouco fora de lugar com algumas coisas consideradas por muitos como tipicamente brasileiras. Eu, por exemplo, não gosto de sertanejo, nem de axé, nem de pagode, nem de muito barulho e  nem de carnaval.

No fundo cada imigrante vai se sentir mais ou menos integrado, dependendo da maneira de como ele vive ou escolheu viver. Isso é muito individual e depende muito também da personalidade de cada pessoa.

Eu sei que tenho aprendido muito por aqui, tanto com os locais, quanto com os povos de outras partes do mundo. Aqui na Suíça já conheci/tive contato com gente (a maioria em cursos de alemão e de integração que eu fiz) da Croácia, da França, da Itália, da Escócia, da Grécia, da Espanha, do Peru, da República Tcheca (minha vîzinha), da Venezuela, do Chile, da Ilha Maurícius, da Alemanha, do México, de Portugal, da Inglaterra, da Bulgária (detalhe que todo búlgaro que conheci comenta que a presidente Dilma Roussef tem ascendência búlgara, rs..), da Sérvia e etc... e até da Suíça, rs... com alguns deles (latinos) ainda mantenho contato. Eu adoro e acho muito rico todo esse caldeirão multicultural!

Pedra em referência a guerra da Iugoslávia

Pena que o problema do mundo sejam as suas fronteiras.

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