29.5.13

Carta para Santa Clara

Zurique,  29 de maio de 2013

Querida Santa Clara,

Quando criança eu ouvia falar muito na senhora. Eu cheguei até a fazer com as minhas irmãs uma simpatia para parar de chover. Era assim: a gente pegava um ovo, colocava em um lugar alto do lado de fora da casa e pedia para parar de chover:

"Santa Clara faça sol
para enxugar o meu lençol"

E não falhava. A senhora sempre atendia a gente. O sol aparecia e o dia clareava!!

Hoje eu moro longe do Brasil e vejo que os brasileiros são privilegiados. Eu penso que nós, brasileiros, reclamamos de barriga cheia sobre tempo, basta dar uma esfriadinha e começam as reclamações...

Eu sei Santa Clara, eu nunca mais falei com a senhora... mas hoje eu preciso muito da sua intercessão. Eu já estou virando a chata do tempo, se é que a senhora me entende. Todos os meus assuntos acabam tendo o mesmo repertório: o (mau) tempo.

Eu não quero que a senhora pense que sou mal agradecida. Sim, nós tivemos alguns dias de solzinho, agradeço por eles! Mas é que já estamos indo para mais de seis meses com dias frios e os dias de sol que tivemos foram tão curtinhos...

A senhora ultimamente não tem visitado muito a Suíça, tem ficado mais ai pelo hemisfério sul. Vejo que a senhora tem passeado bastante pela Espanha e pela Itália, pois lá o tempo está frequentemente aberto e ensolarado. Porque a senhora não visita a Suíça com mais frequência? Eu garanto que a senhora vai gostar daqui! Venha com o Pedro passar férias. Ele também precisa de descanso e nem vai precisar fazer chover por aqui, já temos bastante água estocada.

Eu sei que a senhora gosta do Brasil, afinal lá a senhora já até recebeu homenagens. O Jorge Ben Jor cantou para a senhora: "Santa Clara clareou oh oh.. e aqui quando chegar vai clarear ah ah". O Manuel Bandeira também escreveu um poema para a senhora que foi até recitado pelo Herbert Vianna, a senhora lembra? :


"Santa Clara, clareai
estes ares

Dai-nos ventos regulares,
de feição.
Estes mares, estes ares,
Clareia.

Santa Clara, dai-nos sol.
Se baixar a cerração,
Alumiai
Meus olhos na cerração.
Estes montes e horizontes
Clareai"...


Eu posso escrever para alguns cantores suíços com uma proposta de música para a senhora. Eu sei, eu sei que a senhora não busca fama, mas um reconhecimento internacional vai bem, a senhora não acha?

Quem sabe não dá certo? O Die Toten Hosen vem cantar na Suíça no próximo mês, eles são alemães, e os alemães também estão bem chateados com o mau tempo. Eles são um grupo de punk rock, não sei se é o estilo da senhora, mas eles também fazem músicas mais suaves. A senhora tem que ouvi-los. Eu adoro!!

O convite tá feito. A senhora e o Pedro serão bem vindos na Suíça. Aqui tem lugares surpreendentes e lindos e que ficam ainda mais bonitos com a presença do sol.

Santa Clara, clareai! Por favor.

Amém.

Ass: Sandra, sua mais recente devota.

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27.5.13

Geld stinkt nicht

Se você mora na Suíça, você já deve ter ouvido a expressão "Geld stinkt nicht" (Dinheiro não cheira), pelo menos uma vez.

A expressão remonta a Roma Antiga. Naquela época era comum que a urina retirada das latrinas públicas fosse usada para fins industriais. Os curtidores usavam a urina para amaciar o couro, as lavanderias, devido a amônia contida na urina, a usavam para limpar e branquear a lã.

Foi nesta época que o imperador Vespasiano de Roma, viu na urina um negócio! Ele decidiu criar uma taxa para toda urina que fosse retirada das latrinas públicas, assim todos os artesões que precisassem da urina para curtir o couro, branquear a lã ou outros fins, teriam que pagar a taxa da urina!

Francos suíços

O filho do imperador foi contra a atitude do pai e o criticou pela medida. O pai, por sua vez, convencido a não retirar a taxa da urina, deu uma moeda de ouro ao filho e perguntou-lhe: "O cheiro da moeda te incomoda"? O filho respondeu: "não". O pai disse, "pois então, a moeda vem da urina". "Dinheiro não cheira". "Pecunia non olet" (em latim).

Atualmente a expressão "Geld stink nicht" é usada mais como sarcasmo, cinismo ou ironia, como significando que o dinheiro vale o que vale, não importa de onde venha.

A Suíça com a fama de paraíso fiscal e dos bancos seguros que o diga, rs.!!!

Geld stinkt nicht! Stimmt das oder nicht? :-)

E vocês, sabem de alguma expressão usada onde vocês moram? Tô curiosa pra saber!! :-).

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26.5.13

52 Objetos - semana 1

♥ Objeto 1

O que é: Buquê do meu casamento

De onde vem: Foi encomendado em uma floricultura de Zurique

Onde fica: No escritório, em um vaso-caneca

Porque foi escolhido: Eu casei somente no civil, com um vestido básico, que não era branco, rs... mas fiz questão de ter um buquê :-). No dia em que o buquê ficou pronto, a funcionária da loja disse que poderíamos guardá-lo por anos e anos, se deixassemos que as flores secassem. Eu nem sabia que isso era possível, mas assim o fiz :-). E o buquê continua inteirinho.


O buquê original foi esse



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25.5.13

Quarkini

O Quarkini é um bolinho muito parecido com o nosso bolinho de chuva no formato, mas o gosto é bem diferente. O diferencial é que este bolinho leva "Quark" na receita. Na Alemanha eles são conhecidos como Quarkbällchen.

Eu sempre passava batido pelos Quarkinis, sabe-se lá porque eles não me chamavam muito a atenção. Mas em um dia de tempo feio e frio, resolvi experimentá-los, pois bolinhos combinam com frio, chuva e café :-). Me parece que eles são sazonais e são vendidos mais durante outono-inverno, mas já que o tempo por aqui tem conspirado contra nós ficando frio e chuvoso, encontrei os tais bolinhos no Kiosk do Globus.

E não é que eu adorei os bolinhos!! Que delicia! A massa é um pouquinho úmida e a cremosidade do Quark ajuda na maciez do quarkini.

O tempo continuou frio e eu resolvi que iria fazer os bolinhos em casa. Quando comecei a ver as receitas, fiquei assustada com o tanto de óleo com que eles são fritos. Eu achei que os bolinhos fossem assados, pois eram tão sequinhos...

Foto: daqui

Eu, que evito fritura ao máximo, não pude matar a minha vontade. Procurei por receitas de Quarkini assados, mas não encontrei.

Alguém ai conhece alguma receita desses bolinhos que seja assada? Tô com vontade...

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24.5.13

52 Objetos

Lendo alguns blogs, clicando aqui e ali, acabei parando no blog da Heloisa, o Básico e Necessário, e logo me empolguei com o projeto 52 objetos, cuja idéia original está no blog "The Marion  House book da Emma Reddington, que abriu o projeto com a seguinte idéia:

("Daqui a muitos anos alguém encontra uma caixa cheia de coisas que pertenceram a você e tenta formular a sua história, descobrir que tipo de pessoa você era. Talvez essa caixa tenha fotos, livros, documentos pessoais, roupas ou até mesmo uma embalagem de chiclete. O que esses objetos dizem sobre você? Eles contariam uma história precisa da sua vida? Que história seria essa?")

Eu li a Tag 52 objetos dos dois blogs de uma tacada só, rs... e eu gostei tanto da idéia que resolvi aderir.

A idéia é , durante um ano, a cada semana postar um objeto e contar um pouco a história dele. Pode ser qualquer objeto: um bilhete, uma jóia ou uma bijouteria, uma roupa, um utensílio doméstico, fotos, quadros, ou seja, qualquer coisa que você queira e que tenha a ver com você ou com a sua casa.

A vida é feita de memórias e parte delas são construídas com objetos que carregamos no decorrer da nossa vida. Basta olhar a nossa volta e descobrir que alguns objetos que temos, que guardamos, que usamos, que gostamos, contam uma história, seja de uma viagem, seja de uma pessoa, seja de uma época, seja simplesmente do dia a dia.

Enfim, escrever sobre esses objetos será pra mim também uma forma de trazer a tona algumas memórias que estavam até então, guardadas em alguma parte da minha mente e do meu coração.

Como, sabiamente escreveu Saramago:

"Fisicamente, habitamos um espaço, mas, sentimentalmente, somos habitados por uma memória. Memória que é a de um espaço e de um tempo, memória no interior da qual vivemos, como uma ilha entre dois mares: um que dizemos passado, outro que dizemos futuro. Podemos navegar no mar do passado próximo graças à memória pessoal que conservou a lembrança das suas rotas, mas para navegar no mar do passado remoto teremos de usar as memórias que o tempo acumulou, as memórias de um espaço continuamente transformado, tão fugidio como o próprio tempo".
José Saramago em "O Caderno de Saramago".




Post de encerramento com as fotos dos 52 objetos da Emma Reddington

Para o post não ficar enorme, domingo começo com o primeiro objeto.

Fica aqui o convite para quem quiser aderir a idéia :-).


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12.5.13

Sobre vizinhos

Você conhece os seus vizinhos?

Eu confesso que nunca fui de ter amizades com vizinhos, somente mesmo aquela cortesia de sempre: bom dia, boa tarde, olá, tudo bem e por ai vai.

Pra começar que no Brasil, a minha tia era uma das nossas vizinhas, ai família não conta como sendo um "vizinho", com os outros vizinhos o meu contato era mesmo bem superficial, até porque eu saia cedo para trabalhar e voltava tarde, então não tinha tempo para interação. Mas lembro bem de uma vizinha que vivia no portão da casa dela, observando a vida dos outros. Eu saia de casa para trabalhar, ela estava no portão, eu voltava ela continuava lá, rs... não sei o que de tão interessante ela tinha para observar na rua.

Quando eu morei no centro de Zurique, eu conto nos dedos de uma mão, quantas vezes vi meu vizinho de porta/andar. Não conheci ou tive contato com nenhum deles, somente de vista.

Hoje moramos em uma casa, e querendo ou não você acaba tendo mais contato ou vendo mais o seu vizinho, principalmente no verão, quando todo mundo sai de casa ou fica mais tempo do lado de fora, por exemplo, na varanda. Suíço é um povo reservado, mas no verão parece que todo mundo se abre, como as flores que desabrocham com a presença do sol e ai vem aquela vontade de se socializar, rs..

"Deus tudo vê. Nosso vizinho vê mais!".

Em um dos poucos finais de semana que tivemos sol, um dos nossos vizinhos nos convidou para um café, assim espontaneamente, sem marcar com antecedência, como é costumeiro por aqui. Lá fomos nós, e vou dizer que foi super agradável!!! Esse vizinho é bem inteirado sobre o que acontece no bairro, quem são os outros vizinhos e por ai vai. Melhor mesmo ter uma boa relação com ele, rs... brincadeirinha, foi mesmo muito agradável o café com a família dele.

Outra vizinha, que foi o meu primeiro contato desde que moramos por aqui, também já esteve em casa para tomar um café com bolo, rs... Ela é uma simpatia, veio da Eslováquia, e já vive na Suíça há 13 anos. Ela já assou pão na casa dela e me mandou um sms oferecendo um pedaço, pena que eu só vi a mensagem tarde da noite e no dia seguinte partimos para uma semana fora, assim bau bau pão :-(. Eu sou uma negação para celular: esqueço de carregar, esqueço no vibracall, esqueço onde deixei e por ai vai...rs... não sei como tem gente que consegue ficar 24 hs grudada no aparelho.

Essa mesma vizinha também já me ofereceu dois ingressos para o cinema, porém não pude aceitar porque já tinhamos compromisso no dia do filme.


Uma outra vizinha, fica alteradíssima na primavera-verão, rs... Além do que, ela faz questão de mostrar que é ela quem manda em casa. Em todas as oportunidades ela dá um jeito de mostrar que é ela quem tem a voz de comando. O marido é um mero coadjuvante. Ela grita com ele, dá ordens, já até disse que ele poderia arrumar as malas e ir embora. Isso tudo aos berros, e eu e marido, que estávamos na varanda, ouvimos tudo, foi impossível não ouvir...Dessa eu quero distância.

A vizinha da casa da frente é simpática e já trocamos algumas palavrinhas :-).

Não posso reclamar da minha vizinhança. Tivemos sorte com eles e acho que eles conosco, rs.. e eu sinto que em uma emergência eu terei a quem recorrer. O bom é que ninguém força nada, todo mundo respeita o espaço do outro e ninguém se intromete na sua vida.

Em qualquer lugar do mundo, cortesia, respeito e solidariedade são coisas que nunca saem de moda, principalmente entre vizinhos.

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6.5.13

Lagos suíços - Parte I

"No meio do inverno eu finalmente descobri
que havia dentro de mim um invencível verão".
 
Albert Camus


Os lagos suíços são lindíssimos. Não tem como não se encantar com a beleza deles, além da sensação de relaxamento e paz que eles proporcionam.

Ainda mais depois de praticamente cinco meses de um longo e tenebroso inverno, nada melhor do que aproveitar a primavera-verão para curtir a paisagem dos lagos, seja nadando, praticando esporte ou simplesmente admirando a paisagem - é o que eu faço - .

A Suíça  tem uma infinidade de lagos, de todos os tamanhos, em todos os cantões e para todos os gostos. O difícil pra mim, ainda é enfrentar a água fria deles, que parece não esquentam nunca :-).



Depois de uma caminhada, tentando me refrescar no lago de Zürich
em um dos raros dias de (muito) calor.

Um dos mais famosos lagos da Suíça alemã é o lago de Zurique. Considerado o "point" da galera de Zurique, ele bomba no verão e costuma ter vários eventos.


Na área ao redor do lago de Zurique há vários cafés e restaurantes que ficam lotados, principalmente no verão.

Conseguir um lugar, literalmente ao sol, aos finais de semana por lá, é uma tarefa que requer um pouco de paciência, mas o visual compensa, eu te garanto!! :-).




No cantão de Glarus, fica o lindíssimo Klöntarlersse.

O lago localiza-se a um altitude de 848m acima do nível do mar e tem uma área de aproximadamente 3,3 km2. Desde 1908 é utilizado para a produção de eletricidade. É ainda o maior e mais antigo reservatório da Suíça. Ele é conhecido pela sua frequência-espelho, por causa da superfície que reflete as montanhas que os circundam. Muitos o consideram um dos mais belos lagos da Suíça. (fonte Wikipédia).

Eu estou entre os que acham o Klöntarlersse um dos mais belos lagos suíços.

O Klöntarlersse localizado no cantão de Glarus



As águas dos lagos são cristalinas, por causa do baixíssimo índice de poluição do ar. As geleiras que derretem, também contribuem para esse efeito cristalino.

Quando nós respeitamos a natureza o retorno que ela nos dá é surpreendente, os lagos suíços estão ai para comprovar isso.

Piquenique ao redor do Klontalersse
em um lindo dia de verão :-)

A área que circunda o lago é muito linda e agradável para se caminhar.

Esse banquinho não é perfeito para sentar e ler um livro? ou simplesmente
para sentar e apreciar a paisagem?

Ainda na parte alemã temos o belíssimo Walensee que está localizado entre os cantões de Glarus e St. Gallen.


O lago está localizado há 419 metros acima do nível do mar. A sua profundidade máxima é de 151m. Devido a sua especial localização (no meio de um vale e em ambos os lados picos elevados) a temperatura da água é um pouco (ainda) mais fria do que a dos lagos vizinhos. Raramente é quente no verão e não excede 20 graus. (fonteWikipédia).

A água gelada explica a foto, rs... isso é o máximo que consegui entrar...heheheh




Nos próximos posts, um pouco dos lagos da parte francesa e italiana.

E que venha o verão!!

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