2.2.12

A fala e a linguagem

 


(*) "Das leben ist zu kurz um Deutsch zu lernen". Mark Twain




(**) 
LINGUAGEM: é todo sistema de sinais convencionais que nos permite realizar atos de comunicação. Pode ser verbal e não-verbal.
a). verbal: aquela cujos sinais são as palavras
b). não-verbal:  aquela que utiliza outros sinais que não as palavras.  LIBRAS - Linguagem Brasileira de Sinais,  o conjunto dos sinais de trânsito, mímica etc. constituem tipos de linguagem não-verbal.

LÍNGUA
: é um tipo de linguagem; é a única modalidade de linguagem baseado em palavras. O alemão e o português são línguas diferentes.

Língua é a linguagem verbal utilizada por um grupo de indivíduos que constitui uma comunidade.

FALA
: é a realização concreta da língua, feita por um indivíduo da comunidade num determinado momento. É um ato individual que cada membro pode efetuar com o uso da linguagem.



Em um fórum da internet em que eu participo para estudar e tirar dúvidas do idioma alemão rolou por estes dias um vídeo sobre um programa de TV da Alemanha, que é transmitido também aqui na Suíça. Esse vídeo é parte de um reallity show chamado Dschungelcamp em que mostra pessoas confinadas em uma floresta na Austrália. Dentre essas pessoas está o Ailton, um brasileiro que joga futebol na Alemanha e que até então eu não conhecia.

O que está acontecendo é que o Ailton está sendo motivo de chacota, não pelo fato dele participar de um reallity show, mas por causa do jeito que ele fala alemão. O Ailton já mora há alguns anos na Alemanha e ainda comete erros de idioma quase que primários. O problema mais do que o falar errado é que ele está expondo toda sua fragilidade linguistica perante às câmeras e para milhares de pessoas. Eu admiro tiro o meu chapéu para o Ailton por dar a sua cara a tapa, coragem que eu jamais teria, nem que fosse em um reallity no Brasil falando a minha lingua materna. 

Neste mesmo vídeo, que pode ser visto aqui, aparece uma brasileira comentando sobre a fragilidade linguística do Ailton. Ela é a Fernanda Brandão, uma pessoa muito conhecida na Alemanha. A Fernanda trabalha na RTL, que é o mesmo canal de TV que está transmitindo esse reallity e ela fala alemão perfeitamente. Acontece que a Fernanda foi para a Alemanha aos 9 anos de idade, cresceu e estudou lá, portanto aprendeu o idioma facilmente, tanto é que ela fala sem sotaque nenhum. O que eu não acho certo é que estão comparando a Fernanda com o Ailton!

Professores de idiomas ou quem trabalha em geral nessa área falam sobre uma fenômeno linguístico chamado fossilização, isto é, quando se fala de uma forma errada por muito tempo, esta forma se fossiliza e dai fica difícil a pessoa aprender a falar corretamente depois. Isso explica o porque de pessoas estarem há 10, 15 anos num país e ainda assim cometerem os mesmos erros.

E alemão é bem difícil mesmo! Eu me esforço o máximo para falar sem erros, mas as vezes, até por falta de vocabulário, isso se torna uma missão bem árdua. Eu falo tudo o que quero, mas não como eu quero, essa é a diferença. O meu alemão está longe de ser perfeito. Mas aprendi que se a gente ficar só pensando nos erros que estamos cometendo, que devemos falar perfeitamente, travamos, e ficamos com medo de falar. Eu passei por essa fase, mas agora já falo sem medo. Eu tenho a chance de conviver com alguém (diga-se meu marido) que pode me corrigir e me ajudar no dia a dia a melhorar, e eu peço que ele sempre me corrija.

Imagino que para quem só conviva entre pessoas da mesma nacionalidade em um país estrangeiro, acabe sendo mais difícil praticar e perceber os erros de conversação porque eventualmente pouquíssimas pessoas que não façam parte do seu círculo mais intimo de amizades irão te corrigir.

E o aprendizado é individual. Cada um tem o seu tempo, seu ritmo e a sua urgência.


Eu tive uma colega chilena no curso de alemão que eu admirava muito! Ela vive aqui com o marido e dois filhos, ambos chilenos. Ela e os filhos têm nacionalidade suíça porque o pai dela é suíço. Ela veio para a Suíça com a cara e a coragem. No Chile ela teve pouco contato com o pai, ou seja, não sabia praticamente nada de alemão antes de vir pra cá e no entanto ela era a melhor aluna da classe. Super disciplinada, estudava sozinha em casa, porque antes de mais nada ela tinha urgência em aprender rápido. Quem vem pra cá casada com um "local" no começo acaba se acomodando um pouco porque inevitavelmente o marido vai te ajudar com muitas coisas que você provavelmente daria muitas voltas para resolver sozinha. Eu também passei por esta fase e vou admitir que isso te poupa de muitas coisas. Hoje eu já consigo me virar sozinha \o/ e gosto disso!

Força Ailton!!! :-)

 * "A vida é muito curta para aprender alemão". Frase dita pelo escritor norte americano Mark Twain, no sentido de dizer que seria um desperdício "perder" tempo aprendendo alemão.

** - Fonte: site recantodasletras.com.br. Autor: Benedita Azevedo.

7 comentários:

  1. Eh complicado mesmo... Eu sempre desconfiei de quem dizia que tinha passado 3 meses na Inglaterra ou EUA e tinha voltado com inglês fluente...
    Quando eu estava há 6 meses na França todo mundo no Brasil me perguntava se eu estava falando "francês como um francês". Infelizmente com 3 anos aqui, ainda não estou nesse nível. Quando cheguei aprendi muito rápido, pois conheci meu marido que não falava nem mesmo uma palavra de português e que me corrigia muito. Mas após um certo momento, a curva da aprendizagem começa a ser quase uma linha reta... A gente aprende rápido, depois pára... Além de existir uma explicação de ordem cognitiva, existe o fato de conseguir se expressar no dia a dia, e desta forma as pessoas nos compreendem perfeitamente (mesmo com alguns errinhos) mas ninguém nos corrige mais. Eu noto que quando estou muito cansada (tarde da noite após uma semana particularmente difícil) articulo mal e o resultado é bem mediocre!
    E o difícil mesmo é "discutir"!!! Quando entro em uma discusséao acirrada com o meu marido, alguns minutos depois a minha cabeça parece que vai explodir, de ter falado tanto, rápidamente e sem pausa. E ele lá normal dizendo que foi apenas uma diferença de opinião e não entende pq estou tão "cansada". Outra coisa que ele não entende é que se estou escrevendo em português ou falando em português com alguém, se ele vem me falar (em francês) realmente eu não consigo registrar a informação de imediato, ou respondo em à ele em português (como as vezes começa a falar com brasileiros em francês e depois de 10 minutos de conversa a gente se pergunta por que razão estamos falando francês entre nós?).
    Eu acho que são as dificuldades de aprender uma outra língua aos 28 anos de idade, quando toda a nossa escolaridade foi em outro idioma. Não dá para comparar com quem aprendeu em idade escolar.
    Mesmo a atriz Cristina Reali, uma atriz de origem brasileira que chegou à França aos 9 anos, disse que tinha muitas dificuldades com a língua e começou a estudar teatro justamente por isso (para melhorar a articulação)...

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    1. Exatamente, como dizia a minha avó essa de dizerem que em 3 meses é possível estar fluente em um idioma é "história pra boi dormir". Também desconfio, e muito!
      Sim, é muito cansativo discutir, eu também passo por isso, articular em outro idioma, quando você não encontra uma palavra correspondente em português é muito complicado. Logo quando eu comecei a tentar falar só alemão em casa eu misturava muito inglês e alemão porque meu marido tambem não fala nada em português e era horrível. Misturar tb pode ser perigoso por causa desse fenômeno da fossilização, fui me corrigindo e nem que eu tivesse que fazer mímica saia tudo, mesmo que com muito custo, em alemão! Não sei se um dia vou alcançar a tão sonhada fluência :-). Quem sabe um dia...

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  2. Sandra adorei o tema do post.

    Olha deve dar uma dó mesmo do tal rapaz brasileiro. Cada pessoa tem um tempo diferente de aprendizado e outros vao levar a vida toda e não vão aprender o idioma, isso é de cada um. Eu conheço pessoas que aprenderam holandês em 6 meses (como uma amiga chinesa) e outras que estão aqui a 14-15 anos e estão na minha sala nivél iniciante, recomeçando o curso pela milésima vez.

    Eu achei comico uma conhecia outro dia dizer que eu já estou por aqui a mais de 2 anos e como assim eu não falo holandês? Não falou... ainda.

    O meu maior problema na Holanda é o fato dos holandês se comunicarem muito bem em inglês e não te atazanarem pra falar a lingua deles, isso acomoda. Tanto que eu estudei inglês aqui todo o meu primeiro ano.

    Eu comparo o quanto eu era insegura com o inglês quando cheguei por aqui, não era lá uma Brastemp, mas eu tinha medo das pessoas riem dos meus erros, medo de nao entender, de nao conseguir responder, e até mesmo pouco tempo atrás, quando eu comecei a receber elogios pelo meu inglês até de nativos eu tinha medo de errar e muitas vezes não me comunicava como queria. Mesmo sendo ingles uma lingua bem simples se comparada ao alemão, holandes e outros idiomas eu ainda fico feliz porque aprendi pelo menos mais um idioma muito bem, e hoje em dia me pego pensando e conversando comigo mesma, naturalmente em outro idioma (o que mostra como isso se enraizou ao meu dia a dia).

    Beijos

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    1. Simone, eu também me amparei por quase 1 ano somente no inglês, mesmo já estando na escola de alemão eu não me sentia segura para começar falar nesse idioma. Em Zürich acontece o mesmo que ai onde você vive: até caixa de supermercado fala inglês. Então eu fui me amparando nisso, o que me tirou de alguns apuros, mas também atrasou um pouco mais para eu começasse de fato a FALAR em alemão. Mas tudo tem a sua hora!
      Que bom que você soube aproveitar o seu tempo ai para aprender inglês. O aprendizado do holandes virá com o tempo e como consequência porque por enquanto ai é a sua casa né... Bjs

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  3. Sandra a minha dificuldade no idioma que acredito q o brasileiro Ailton tbm esteja passando que quando se aprende 1° a falar e depois aprender a escrever a saber da gramática é vicioso,assim q aconteceu comigo e hoje nas aulas eu fico querendo falar o frances informal,o de rua mesmo e sendo que o idioma frances é beemmmmm formal quando se fala com alguem q vc nao conhece,gostei muito do post e concoro com as opnioes das meninas,a+ bisous

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  4. Oi Sandra, vim retribuir sua visita...que bacana o seu site. Ai ai ai...idiomas...acho muito chato quando as pessoas comparam. Umas tem mais facilidades, outras nem tanto. Outras tiveram mais oportunidades, outras nem tanto. Não acho justo julgar alguém em relação a fluência num idioma, sendo que neste caso aí deste programa as duas pessoas tiveram experiências de vida muito diferentes. É óbvio que a moça, que cresceu falando alemão, vai falar melhor...estranho seria se não falasse, não é mesmo? hahaha Bom fim de semana!

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  5. Oi Sandra, aquele livro de Imigração de P. Legrain eu peguei na biblioteca pública. Mas se vc se interessa pelo tema ele escreve para o jornal britânico The Guardian, vamos ver se consigo deixar o link para a coluna dele aqui.

    Eu estudei alemão quando era adolescente, depois nunca mais usei a língua e acabei esquecendo. Mas ainda me lembro de alguma coisa (bem pouca), então fiquei feliz de ter entendido a frase do Mark Twain. Nas primeiras vezes que visitei país de língua alemã tentei me comunicar (pedir bilhete de trem, marcar hotel por telefone, essas coisas), mas por conta do meu alemão ser muito tosco sempre me responderam em inglês. Talvez façam isso para facilitar a vida do turista, mas deve ser frustante para alguém que mora no país e quer aprender o alemão.

    O que eu noto no UK é que as pessoas do meu círculo de amigos se recusam a me corrigir. Se eu peço ajuda eles me dizem que meu inglês está bom que chega, o importante é se comunicar (apesar dos erros), sotaque dá colorido à linguagem e blablablá... Por um lado admiro essa tolerância, mas seria mais útil ouvir correções.

    Realmente o brasileiro está de parabéns por participar de um programa assim, boa sorte pra ele :)

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