17.12.11

A Burca e o véu

Quando eu cheguei aqui fiquei impressionada ao ver muitas mulheres, em Zürich principalmente, usando o véu islâmico. Com alguma frequência via também mulheres trajando a Burca. Hoje isso já não me chama mais tanta atenção. Em São Paulo eu lembro de ter visto pouquíssimas vezes mulheres trajando o véu, era uma cena bem rara mesmo.

Me lembro tão bem de um dia em que eu estava na Bahnhof (Estação central de trens) de Zürich e uma mulher trajava uma burca negra. Ela estava completamente coberta e só era possível enxergar um pouco dos seus olhos. Lembro que eu a encarei, mais por curiosidade mesmo e nossos olhares se fixaram por alguns segundos. Pensei tantas coisas sobre ela em poucos segundos: "o que será que ela faz?", "de onde ela é?", "será que não é difícil enxergar o mundo com esse manto negro?" e por ai vai... Poucos minutos depois um homem se aproximou e eles sairam andando. Constatei que ele poderia ser o marido dela ou alguém da família, já que pelo que sei algumas mulheres islâmicas são desaconselhadas a sairem desacompanhadas, ou seja, sem a presença de um homem da família. 

Google imagens
 Daí que existe toda uma polêmica em torno da proibição ou não do uso véu em órgãos públicos. Na Suíça não há uma mobilização neste aspecto, o país se mantém neutro. Na França o governo Sarkozy proibiu o uso do véu nas escolas.

Há um ano atrás mais ou menos houve um pleibiscito na Suíça sobre a construção de um Minarete, que é a torre de onde partem os chamados para as orações diárias dos mulçumanos. A maioria dos suíços votou contra e o Minarete não será construído.

Lembro de ter lido no site do Estadão que uma mulher se recusou a tirar o véu para fazer um exame para a carteira de habilitação e agora ela processa a auto escola por discriminação.

No meu curso de alemão tive colegas mulçumanas, algumas trajavam o véu, outras não. Eu, confesso que morria de curiosidade para ver os cabelos delas, hahaha, coisa de mulher. E quando eu perguntava sobre o véu elas me diziam que em casa não o usavam e que era permitido apenas á familia e ao marido vê-las sem o véu. Opressão? Eu particularmente não gosto de religiões que controlem ou delimitem o meu modo de vestir como também não concordo com a proibição do véu como fizeram na França.

Giovana Antonelli como "Jade" na personagem da novela O Clone.

Tenho uma colega iraniana que é socióloga e vive aqui na condição de asilada. Ela não pode voltar ao Irã pois corre risco de morte por causa do governo autoritário de Ahmadinejad .
*Amina não usa o véu. Ela me disse que é muçulmana e o seu coração sabe disso e ela quer ser livre para fazer essa escolha. Mas no país dela isso não é uma escolha e sim uma ordem!

Cada vez mais eu percebo que o fundamentalismo é triste. As religiões não deveriam provocar ódio ou discórdia. Bom seria se todos se respeitassem e conseguissem chegar a um entendimento, independente da fé que professem. A humanidade ainda não evoluiu a tal ponto.

*nome fictício.

Um comentário:

  1. Olha Sandra, esse costume é diferente né? Mas também acho ao mesmo tempo curioso.. mas a minha maior curiosidade é como elas aguentam sair na rua (muitas vezes debaixo do sol) e suportar o calor? Olha, são ''guerreiras'' hahaha.
    Beijos.

    ResponderExcluir

Seu comentário é bem vindo! Obrigada!

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...